Assim como acreditamos erroneamente que a sensação de dor provocada por um ferimento na perna, se localiza nesta parte do corpo, também acreditamos de maneira equivocada que a dor psíquica se deve a perda da pessoa amada.
Não é a ausência do outro que provoca dor, mas os efeitos desta falta em mim.
Porque aquele que refletia minhas imagens não se encontra mais em minha presença.
O que provoca este transtorno interno é o desmoronamento da fantasia que eu teci em relação ao ser amado.
A dor não é pela perda do amado, mas pela quebra do que me ligava a ele.(Os espaços são propositais, significa que é necessário um tempo para absorver as informações, assim como é necessário um tempo para vivermos a perda e tomarmos consciência de nós, sós e inteiros.)
Assim, aquele que organizava e freava os meus desejos não existe mais. Desta feita meu desejo não tem mais eixo. É um desejo louco, pois perdeu seu objeto. A dor é pois, o encontro do sujeito com seu desejo enlouquecido e desnorteado. Esta desmedida invasão de tensão interna provocada por um desejo que não possui mais um objeto organizador que ao mesmo tempo que instigava, colocava freio e limite a este desejo, tornando minhas frustrações toleráveis na medida exata.
"E agora, José?"
domingo, 26 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
A dor de amor.
Não foi por acaso que eu me afastei do blog, nem foi por tantas desculpas que eu disse a mim mesma enquanto os dias iam passando, foi pelo fato incontestável de tentar evitar a dor, ou ainda que só o assunto sobre a dor. É o que todos nós tentamos ao longo de nossa existência, afastar os conteúdos dolorosos. Mas não há como fugir dela, é nossa condição de ser humano, às vezes a evitação acaba por provocar ainda mais dor, chega uma hora que é preciso encará-la de frente. Então, avante! Vamos com o assunto, rumo a dor de amor, ou a dor da perda de nosso objeto de amor.
No post anterior falamos da fantasia, aquela mesma que tecemos entre o conteúdo de nosso inconsciente e a pessoa viva de nosso amado, uma construção de mil imagens com vários significantes suscitados pela força do desejo que o 'Outro' provoca em mim e que eu acendo nele e que nos mantém em união. Esta fantasia que ao mesmo tempo evoca e desperta o desejo, tem a função de regular o movimento desejante.
“A fantasia do amado satisfaz o desejo, saciando-o parcialmente.”E aqui começamos a compreender que nosso eleito deixa de ser um ser vivo exterior e passa a fazer morada também no interior de nós. Não é de todo um exagero puramente romântico as frases que ouvimos, como por exemplo:_‘ Ele faz parte de mim. ’_‘ É como se ele e eu fôssemos um só. ’Sim, aquele que mora dentro de mim é um Outro construído a partir de conteúdos de mim mesmo que eu desconheço.(inconscientes)
Assim, o objeto fantasiado tem a função de domar nosso desejo, tornando-o insatisfeito no limite do tolerável.
Desta forma, meu eleito é ao mesmo tempo uma pessoa de carne e osso fora de mim e uma fantasia dentro de mim. Destas duas formas, a minha fantasia é que vai dominar a cena, ou seja, o que eu sinto e penso e experimento em relação ao ser amado é determinado pela figura que eu construí e teci ao longo do tempo.
Eu só enxergo o que está tecido entre nós, eu só o vejo e o escuto dentro da teia que envolve a sua imagem atrelada à minha. Não seria incorreto afirmar que nós nos amamos e nos odiamos no outro, por meio dele e do que nos liga a ele.
“Eu me vejo e me sinto segundo as imagens que o outro me envia.”E quais seriam estas imagens? . Imagens exaltantes de nós mesmos, que reforçam nosso amor narcísico.. Imagens decepcionantes que alimentam a repulsa por nós mesmos.. Imagens de submissão e dependência em relação ao amado que provoca nossa angústia.
É como um caleidoscópio que reflete as imagens com base em fragmentos do nosso eleito e de nós mesmos entrelaçados e mutantes, sempre se alterando e apresentando novas configurações. A fase da relação em que o encantamento pelo outro está em evidência é aquela em que o amor narcísico fica reforçado. Ouvimos elogios o tempo e somos cobertos por carinho. Depois, a fase em que o amado começa a nos decepcionar e por vezes nos aponta defeitos é aquela em que nossa auto estima é golpeada e passamos por uma desvalorização de nós mesmos. E por fim quando nos percebemos submissos e dependentes de nosso eleito, mediante a ameaça da perda deste objeto, é quando surge a angústia.É neste momento que aparece a dor!
E desta dor falaremos no próximo post, até lá!
No post anterior falamos da fantasia, aquela mesma que tecemos entre o conteúdo de nosso inconsciente e a pessoa viva de nosso amado, uma construção de mil imagens com vários significantes suscitados pela força do desejo que o 'Outro' provoca em mim e que eu acendo nele e que nos mantém em união. Esta fantasia que ao mesmo tempo evoca e desperta o desejo, tem a função de regular o movimento desejante.
“A fantasia do amado satisfaz o desejo, saciando-o parcialmente.”E aqui começamos a compreender que nosso eleito deixa de ser um ser vivo exterior e passa a fazer morada também no interior de nós. Não é de todo um exagero puramente romântico as frases que ouvimos, como por exemplo:_‘ Ele faz parte de mim. ’_‘ É como se ele e eu fôssemos um só. ’Sim, aquele que mora dentro de mim é um Outro construído a partir de conteúdos de mim mesmo que eu desconheço.(inconscientes)
Assim, o objeto fantasiado tem a função de domar nosso desejo, tornando-o insatisfeito no limite do tolerável.
Desta forma, meu eleito é ao mesmo tempo uma pessoa de carne e osso fora de mim e uma fantasia dentro de mim. Destas duas formas, a minha fantasia é que vai dominar a cena, ou seja, o que eu sinto e penso e experimento em relação ao ser amado é determinado pela figura que eu construí e teci ao longo do tempo.
Eu só enxergo o que está tecido entre nós, eu só o vejo e o escuto dentro da teia que envolve a sua imagem atrelada à minha. Não seria incorreto afirmar que nós nos amamos e nos odiamos no outro, por meio dele e do que nos liga a ele.
“Eu me vejo e me sinto segundo as imagens que o outro me envia.”E quais seriam estas imagens? . Imagens exaltantes de nós mesmos, que reforçam nosso amor narcísico.. Imagens decepcionantes que alimentam a repulsa por nós mesmos.. Imagens de submissão e dependência em relação ao amado que provoca nossa angústia.
É como um caleidoscópio que reflete as imagens com base em fragmentos do nosso eleito e de nós mesmos entrelaçados e mutantes, sempre se alterando e apresentando novas configurações. A fase da relação em que o encantamento pelo outro está em evidência é aquela em que o amor narcísico fica reforçado. Ouvimos elogios o tempo e somos cobertos por carinho. Depois, a fase em que o amado começa a nos decepcionar e por vezes nos aponta defeitos é aquela em que nossa auto estima é golpeada e passamos por uma desvalorização de nós mesmos. E por fim quando nos percebemos submissos e dependentes de nosso eleito, mediante a ameaça da perda deste objeto, é quando surge a angústia.É neste momento que aparece a dor!
E desta dor falaremos no próximo post, até lá!
quarta-feira, 4 de março de 2015
A escolha do ser amado
Já mencionei minha decepção ao descobrir que a paixão obedece a uma reação química do corpo físico. Ela se instala em nosso cérebro em apenas seis milésimos de segundos, antes que o córtex pré-frontal tenha alguma ação para promover julgamentos e barramentos. Não é raro ver casais estranhíssimos morrendo de amores por ai! E não censure ninguém, porque pode acontecer a qualquer um de nós. Namorar o esquisitão da turma pode ser bem compreensível mesmo para a garota mais descolada do pedaço.
É claro que esta escolha não é aleatória, algum gatilho foi disparado vindo do primeiro objeto de amor em sua direção. Pode ser a voz, o cheiro, o jeito de falar, de andar, um traço da personalidade ou vários e até a aparência física. Não é por acaso que o perfil das namoradas é sempre o mesmo e lembram sempre a mamãe ou que também podem ser exatamente o oposto dela, o que não deixa de apontar na mesma direção, porque a negação é tão somente um mecanismo de defesa.
Mas afinal, quem é este a quem eu dedico o meu amor, considerando-o único e insubstituível? A resposta pode parecer confusa, mas é exatamente esta: “É um ser misto, composto ao mesmo tempo por este ser vivo e definido que se encontra diante de mim e pelo seu duplo interno impresso em mim.”
O amor passa pela transformação de um ser exterior em um duplo interior, que passa a fazer parte de nós mesmos. Freud dizia que o ser amado é acima de tudo um personagem psíquico, diferente da pessoa real. Ele é antes de tudo, uma parte ignorada e inconsciente de nós mesmos. Lacan encontra em seus matemas, uma expressão: ‘objeto a’, para designar o que nós ignoramos desta presença do outro amado em nós, este duplo psíquico que se funde ao ego, se a pessoa do amado nos deixa definitivamente. Mas ainda não vamos falar da dor, vamos por ora, falar de amor. Vamos descobrir como construímos com imagens e representações simbólicas, o nosso amado.
É comum atribuirmos ao nosso eleito o poder de satisfazer nossos desejos e nos proporcionar prazer. Nesta ilusão, demoramos um tantinho até perceber que sua presença em nossa vida traz também insatisfação. Ao mesmo tempo em que ele acende nossos desejos, não pode e não consegue satisfazê-los em sua plenitude. E mais que isso, sendo neurótico, ele também não quer realizá-los. Ele é ao mesmo tempo o excitante do meu desejo e o objeto que só o satisfaz parcialmente. Começa a construção de um duplo interno, aquele que ‘eu imagino’ que poderá me satisfazer plenamente. Embora isso não seja possível, lá vamos nós mais uma vez, colar figurinhas em cima do nosso eleito, tentando transformá-lo no sujeito perfeito. Mudamos seu corte de cabelo, corrigimos o seu sotaque e vamos aos poucos trazendo imagens de representações muitos particulares de nós mesmos e colando sobre este outro. Não se engane ele também está construindo você. E assim, o nosso eleito vai se tornando um duplo interno, em parte costumizado por nós, em parte nós mesmos, costurados em bordados a ele. E o que é mais confuso ainda, nós o impregnamos de uma parte nossa, que nós mesmos desconhecemos, pois se trata de inconsciente puro. Podemos assim, dizer que somos seis ao todo; o ele, o ele desconhecido, o eu desconhecido nele. E o eu, o eu desconhecido e o ele desconhecido em mim. Não é muita gente pra um casal só? Não,...existem muitos mais outros do que nossa vã filosofia possa imaginar! (pausa para risos). Sei que posso parecer irônica, mas é que o bom humor é essencial para não levarmos tudo tão a sério.
O amor sem alegria, não me interessa. E a você?
Vou me despedir com esta pergunta, pense sobre isto! Abraços e até.
É claro que esta escolha não é aleatória, algum gatilho foi disparado vindo do primeiro objeto de amor em sua direção. Pode ser a voz, o cheiro, o jeito de falar, de andar, um traço da personalidade ou vários e até a aparência física. Não é por acaso que o perfil das namoradas é sempre o mesmo e lembram sempre a mamãe ou que também podem ser exatamente o oposto dela, o que não deixa de apontar na mesma direção, porque a negação é tão somente um mecanismo de defesa.
Mas afinal, quem é este a quem eu dedico o meu amor, considerando-o único e insubstituível? A resposta pode parecer confusa, mas é exatamente esta: “É um ser misto, composto ao mesmo tempo por este ser vivo e definido que se encontra diante de mim e pelo seu duplo interno impresso em mim.”
O amor passa pela transformação de um ser exterior em um duplo interior, que passa a fazer parte de nós mesmos. Freud dizia que o ser amado é acima de tudo um personagem psíquico, diferente da pessoa real. Ele é antes de tudo, uma parte ignorada e inconsciente de nós mesmos. Lacan encontra em seus matemas, uma expressão: ‘objeto a’, para designar o que nós ignoramos desta presença do outro amado em nós, este duplo psíquico que se funde ao ego, se a pessoa do amado nos deixa definitivamente. Mas ainda não vamos falar da dor, vamos por ora, falar de amor. Vamos descobrir como construímos com imagens e representações simbólicas, o nosso amado.
É comum atribuirmos ao nosso eleito o poder de satisfazer nossos desejos e nos proporcionar prazer. Nesta ilusão, demoramos um tantinho até perceber que sua presença em nossa vida traz também insatisfação. Ao mesmo tempo em que ele acende nossos desejos, não pode e não consegue satisfazê-los em sua plenitude. E mais que isso, sendo neurótico, ele também não quer realizá-los. Ele é ao mesmo tempo o excitante do meu desejo e o objeto que só o satisfaz parcialmente. Começa a construção de um duplo interno, aquele que ‘eu imagino’ que poderá me satisfazer plenamente. Embora isso não seja possível, lá vamos nós mais uma vez, colar figurinhas em cima do nosso eleito, tentando transformá-lo no sujeito perfeito. Mudamos seu corte de cabelo, corrigimos o seu sotaque e vamos aos poucos trazendo imagens de representações muitos particulares de nós mesmos e colando sobre este outro. Não se engane ele também está construindo você. E assim, o nosso eleito vai se tornando um duplo interno, em parte costumizado por nós, em parte nós mesmos, costurados em bordados a ele. E o que é mais confuso ainda, nós o impregnamos de uma parte nossa, que nós mesmos desconhecemos, pois se trata de inconsciente puro. Podemos assim, dizer que somos seis ao todo; o ele, o ele desconhecido, o eu desconhecido nele. E o eu, o eu desconhecido e o ele desconhecido em mim. Não é muita gente pra um casal só? Não,...existem muitos mais outros do que nossa vã filosofia possa imaginar! (pausa para risos). Sei que posso parecer irônica, mas é que o bom humor é essencial para não levarmos tudo tão a sério.
O amor sem alegria, não me interessa. E a você?
Vou me despedir com esta pergunta, pense sobre isto! Abraços e até.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
A busca pelo objeto de amor
Ao descobrir que a paixão é em grande medida uma reação química, que acomete nosso corpo físico, senti minha porção romântica desfalecer como se recebesse um golpe de traição. Um golpe em minhas ilusões que cultivei durante tanto tempo e que povoaram meus sonhos desde a juventude. Ao contrário do que imaginei que pudesse acontecer daquele instante em diante, mediante aquela informação tão traumática quanto o fato de eu haver descoberto na infância, que Papai Noel não existe, meus horizontes se ampliaram. O que ocorreu, foi algo próximo de uma libertação, me senti mais confiante, segura e pronta para viver as experiências amorosas. Perder as ilusões é terapêutico, este véu pode encobrir pontos importantes para quem quer viver de peito aberto suas relações e pode dificultar escolhas acertadas e determinantes para nossa vida.
Então vamos nos aprofundar na teoria psicanalítica em busca do caminho do amor, vamos desvendar esta trilha e descobrir como e porque ele acontece.
Nosso sistema psíquico é regido pelo ‘Princípio do Prazer’. Apesar de o nome sugerir outra coisa, o objetivo deste princípio é a evitação da dor, uma dor psíquica (... que dói não sei como, e vem não sei de onde, mas que dói muito!). Esta dor geralmente descrita assim nasce do desconforto de tensões que ocorrem no psiquismo, provenientes de um acúmulo de energia neuronal e muitas vezes podem se tornar crônicas e insuportáveis, se não tratadas. Vamos entender como isto ocorre: Nossos neurônios são catexizados com energia, quando esta energia se acumula, tornando-se excessiva, é necessário que ocorra uma descarga para que o psiquismo se mantenha numa constância. Entra em cena, o ‘Princípio da Constância’, que faz com que nossos neurônios procurem sempre trabalhar num esquema de economia neuronal, por isso muitas vezes optamos pelos caminhos já conhecidos e anteriormente percorridos, evitando o risco de trilhas novas e desconhecidas. Existe ainda outro motivo para agirmos assim, se chama: ‘Retorno do Recalque’, mas falaremos sobre ele em outro texto. Como a energia liberada na descarga dos neurônios nunca é completa, nosso psiquismo permanece basicamente submetido ao desprazer. Enquanto este estado permanente nós chamaremos de ‘desprazer’, nomearemos esta descarga incompleta de ‘prazer parcial’.
Para uma melhor compreensão, vamos fazer uso do termo, ’desejo’. O desejo é uma tensão em movimento orientada para um alvo ideal, com o objetivo único de alcançar o prazer absoluto, ou em outras palavras, a descarga total da energia que reveste os neurônios. Como esta descarga total é impossível de ser realizada, podemos concluir que nenhum de nossos desejos será realizado em sua plenitude, sempre restando algo a desejar. Vai haver sempre a ‘falta’ de algo que não se concluiu e que não se completou. Que não preencheu todo o vazio.
É aqui que você pensa que morreram todas suas chances de felicidade, a boa notícia é que você está totalmente enganado. Ao contrário da tragédia que isto pode parecer anunciar, esta é nossa salvação, pois ao longo de nossa existência estaremos felizmente em estado de carência. Digo felizmente, porque esta carência, vazio sempre futuro que atiça o desejo, é sinônimo de vida. É a força que nos põe de pé e nos lança aos desafios e ainda, o desejo é o único remédio contra a angústia. Para representar esta insatisfação que instiga o desejo, vamos imaginar um buraco, situado bem no centro de nosso ser em torno do qual, gravitam nossos desejos. O vazio futuro que se apresenta incessante não está em outro lugar, se não, dentro de nós mesmos. Assim, a direção do nosso desejo não é uma linha no horizonte em qualquer direção, mas um aspiral girando ininterruptamente em torno de um vazio central que atrai e faz circular o movimento desejante dentro de cada um de nós.
Sem a carência, que é o núcleo da insatisfação que atrai este movimento circular do desejo, só haveria dor. Esta insatisfação que eu suporto, faz vivo o desejo que estabiliza o aparelho psíquico e me mantém equilibrado. Se a insatisfação é exacerbada ou se a satisfação se torna transbordante, o desejo perde seu eixo de equilíbrio e a dor aparece, é o que acontece com o transtorno da bipolaridade, por exemplo. Assim sendo, certo grau de insatisfação se faz necessário para o perfeito funcionamento de nosso aparelho psíquico. Mas como preservar a carência necessária e ao mesmo tempo mantê-la no limite do tolerável? É neste momento que surge a busca pelo objeto de amor, o eleito para se colocar como polo organizador do meu desejo.
Mas este é um assunto para nosso próximo encontro, despeço-me com um abraço e um brado vibrante a Sigmund Freud, “VOCÊ É O CARA!”
Então vamos nos aprofundar na teoria psicanalítica em busca do caminho do amor, vamos desvendar esta trilha e descobrir como e porque ele acontece.
Nosso sistema psíquico é regido pelo ‘Princípio do Prazer’. Apesar de o nome sugerir outra coisa, o objetivo deste princípio é a evitação da dor, uma dor psíquica (... que dói não sei como, e vem não sei de onde, mas que dói muito!). Esta dor geralmente descrita assim nasce do desconforto de tensões que ocorrem no psiquismo, provenientes de um acúmulo de energia neuronal e muitas vezes podem se tornar crônicas e insuportáveis, se não tratadas. Vamos entender como isto ocorre: Nossos neurônios são catexizados com energia, quando esta energia se acumula, tornando-se excessiva, é necessário que ocorra uma descarga para que o psiquismo se mantenha numa constância. Entra em cena, o ‘Princípio da Constância’, que faz com que nossos neurônios procurem sempre trabalhar num esquema de economia neuronal, por isso muitas vezes optamos pelos caminhos já conhecidos e anteriormente percorridos, evitando o risco de trilhas novas e desconhecidas. Existe ainda outro motivo para agirmos assim, se chama: ‘Retorno do Recalque’, mas falaremos sobre ele em outro texto. Como a energia liberada na descarga dos neurônios nunca é completa, nosso psiquismo permanece basicamente submetido ao desprazer. Enquanto este estado permanente nós chamaremos de ‘desprazer’, nomearemos esta descarga incompleta de ‘prazer parcial’.
Para uma melhor compreensão, vamos fazer uso do termo, ’desejo’. O desejo é uma tensão em movimento orientada para um alvo ideal, com o objetivo único de alcançar o prazer absoluto, ou em outras palavras, a descarga total da energia que reveste os neurônios. Como esta descarga total é impossível de ser realizada, podemos concluir que nenhum de nossos desejos será realizado em sua plenitude, sempre restando algo a desejar. Vai haver sempre a ‘falta’ de algo que não se concluiu e que não se completou. Que não preencheu todo o vazio.
É aqui que você pensa que morreram todas suas chances de felicidade, a boa notícia é que você está totalmente enganado. Ao contrário da tragédia que isto pode parecer anunciar, esta é nossa salvação, pois ao longo de nossa existência estaremos felizmente em estado de carência. Digo felizmente, porque esta carência, vazio sempre futuro que atiça o desejo, é sinônimo de vida. É a força que nos põe de pé e nos lança aos desafios e ainda, o desejo é o único remédio contra a angústia. Para representar esta insatisfação que instiga o desejo, vamos imaginar um buraco, situado bem no centro de nosso ser em torno do qual, gravitam nossos desejos. O vazio futuro que se apresenta incessante não está em outro lugar, se não, dentro de nós mesmos. Assim, a direção do nosso desejo não é uma linha no horizonte em qualquer direção, mas um aspiral girando ininterruptamente em torno de um vazio central que atrai e faz circular o movimento desejante dentro de cada um de nós.
Sem a carência, que é o núcleo da insatisfação que atrai este movimento circular do desejo, só haveria dor. Esta insatisfação que eu suporto, faz vivo o desejo que estabiliza o aparelho psíquico e me mantém equilibrado. Se a insatisfação é exacerbada ou se a satisfação se torna transbordante, o desejo perde seu eixo de equilíbrio e a dor aparece, é o que acontece com o transtorno da bipolaridade, por exemplo. Assim sendo, certo grau de insatisfação se faz necessário para o perfeito funcionamento de nosso aparelho psíquico. Mas como preservar a carência necessária e ao mesmo tempo mantê-la no limite do tolerável? É neste momento que surge a busca pelo objeto de amor, o eleito para se colocar como polo organizador do meu desejo.
Mas este é um assunto para nosso próximo encontro, despeço-me com um abraço e um brado vibrante a Sigmund Freud, “VOCÊ É O CARA!”
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
COMPLEXO DE ÉDIPO – Um triângulo de amor e medo, sem solução!
A popularidade deste conceito freudiano trouxe mal entendidos a teoria edipiana, que é fundamental para a compreensão de outras teorias dentro da psicanálise, como o modelo estrutural psíquico e a presença de um juiz censor dentro de nossa mente, o ‘SUPEREGO’, aquela voz que diz dos perigos e das culpas que carregamos. Então vamos por partes, porque este assunto ‘dá panos pra mangas’.
Vamos voltar à Viena, no fim do séc. IXX, numa Europa repressora, principalmente no que diz respeito à sexualidade. É bom que fique bem claro que o termo ‘sexualidade’ tem um significado que vai muito além do ato sexual. Diz respeito a todo contato entre duas ou mais pessoas e envolve todas as relações humanas. Não podemos negar que seduzimos ou pelo menos, tentamos seduzir a todos que de alguma forma fazem parte do nosso ciclo de convivência, e até mesmo pessoas que nunca vimos e talvez não voltemos a ver, como o atendente do balcão de informações ou a vendedora da loja de cosméticos. Tudo isso com a intenção de conseguirmos sua atenção para que nossos desejos sejam atendidos e satisfeitos a contento. É exatamente isto que o bebê aprende antes de qualquer outra coisa, seduzir para conseguir realizar suas vontades. Esta sedução é um exercício de sua sexualidade e estará presente também no seu encontro para o sexo em seu período fálico, que possivelmente se dará entre a adolescência e a fase adulta. Mas isso não quer dizer que seus impulsos libidinais, presentes na pulsão de vida, não estejam ativos desde pouca idade, assim como sua curiosidade, para iniciar precocemente as investigações e construções de suas teses sobre todos os assuntos que ganharem sua atenção.
Para esta compreensão, faço aqui um registro sobre a pulsão, que tem sua fonte no corpo e é uma força constante, desde o nascimento até a morte e que por ter sua origem endógena, ou seja, em estímulos internos, não há como ser controlada ou passível de fuga. Ela não cessa. Vou dar um exemplo de um estímulo externo: se a temperatura cair, vou sentir frio, mas posso controlar usando roupas para o inverno, pois estes estímulos vêm de fora do meu corpo, mas como controlar um estímulo que nasce dentro de mim? A sexualidade humana é pulsional e obedece a uma força constante da libido. O sexo no animal é cíclico, visando exclusivamente a reprodução. No homem, visa a satisfação de um desejo. Assim, fica facilmente compreensível que tanto os bebês, como os jovens e os idosos têm pulsões e estas o objetivo final de satisfação. E estas pulsões têm reflexos nas zonas erógenas de nosso corpo com manifestações em nossos órgãos genitais. Quando você acaricia um bebê ou mesmo quando você faz a higiene de seu corpo ele sente prazer no seu toque e muitas vezes este estímulo tem resposta em seu órgão genital, o que é naturalmente saudável. E não é necessário que o toque seja em uma região específica, pois o maior órgão erógeno é a nossa pele, que se estende por todo nosso corpo. Mas tudo isso para aquela época era um pouco demais e antes que terminasse suas colocações sobre a teoria da sexualidade infantil, Freud foi deixado por colegas médicos e cientistas, falando sozinho e foi criticado e chamado de perverso e tarado pelos mais exaltados. Pois bem, dois séculos depois nos encontramos aqui seguindo suas trilhas e constatando a cada caso, que ele estava coberto de razões quanto a todas estas questões. E como é bonito ver o desenrolar e a dissolução do amor edipiano. Vamos a ele:
(Não farei referência à história e ao personagem da mitologia grega, Édipo. Pelo fato desta história estar acessível e para não alongar o assunto, que já é por demais, complicado).
Ao perceber que a mãe e ele (o bebê), não são a mesma pessoa, ele começa a constatar que a mãe tem desejos para além dele e que em grande medida estes desejos seguem na direção de seu pai. Ao mesmo tempo em que o bebê deseja a mãe, ele deseja também ser o desejo dela e assim, ele deseja tomar o lugar do pai. Ele deseja ainda o pai e ser também o desejo deste pai. São pulsões libidinais nas duas direções e ansiedade de castração nas mesmas vias. Quando escolhi o subtítulo: “Um triângulo de amor e medo, sem solução”, foi exatamente isso que eu queria dizer, substituindo a palavra ‘amor’ por ‘traços libidinosos’ e a palavra, ‘medo’, por ‘ansiedade de castração’. Toda criança por volta dos cinco anos de idade, não importa o sexo, sente pelo pai e pela mãe, tanto impulsos libidinosos, como também uma ansiedade de castração, justamente por saber (intuir), que a realização destas pulsões é barrada pela instauração da lei, que dita as normas e interdita o desejo. A impossibilidade da realização destes desejos faz com que este triângulo amoroso não encontre uma solução, mas que passe então por sua dissolução, que se dá da seguinte forma:
A criança na impossibilidade de possuir o pai e/ou a mãe, introjeta traços destes primeiros objetos de amor e assim, constitui o ‘SUPEREGO’, aquele juiz interno que muitas pessoas chamam de: a voz da consciência, que nos aconselha, nos protege e que às vezes por ser severo demais, nos enche de culpas. O ‘SUPEREGO’ é uma instância psíquica que limita e interdita o sujeito, são os traços e as características de nossos pais que escolhemos inconscientemente para fazer parte de nossa estrutura psíquica e que irá nos acompanhar pelo resto de nossas vidas, então é imprescindível que nosso ‘EGO’ aprenda a lidar com este ‘herdeiro do complexo de Édipo'. Alguns teóricos divergem sobre a idade em que se encerra esta triangulação, Freud acreditava que seria por volta dos sete anos de idade. Depois desta fase, a criança entra no período de latência e tem sua energia desviada para outras atividades como: esportes, artes, jogos e outros interesses, sem nenhuma conotação sexual. É uma fase que eles se dedicam com afinco e se sobressaem em algumas áreas, dependendo de suas habilidades. As meninas mostram preferência para as danças, ginásticas olímpicas, música, e os meninos, se entregam às lutas e jogos de vídeo games, tudo isso como maneira de sublimar, deslocando a energia para algo não sexual. Aos poucos a puberdade vai dando lugar a adolescência e então o complexo de Édipo retorna, próximo aos doze anos de idade, fazendo seu fechamento com a substituição do objeto. Na maioria dos casos, a menina escolhe alguém parecido com o pai e o menino encontra uma substituta para a figura materna.
Por hora, ficamos assim! Abraço.
Vamos voltar à Viena, no fim do séc. IXX, numa Europa repressora, principalmente no que diz respeito à sexualidade. É bom que fique bem claro que o termo ‘sexualidade’ tem um significado que vai muito além do ato sexual. Diz respeito a todo contato entre duas ou mais pessoas e envolve todas as relações humanas. Não podemos negar que seduzimos ou pelo menos, tentamos seduzir a todos que de alguma forma fazem parte do nosso ciclo de convivência, e até mesmo pessoas que nunca vimos e talvez não voltemos a ver, como o atendente do balcão de informações ou a vendedora da loja de cosméticos. Tudo isso com a intenção de conseguirmos sua atenção para que nossos desejos sejam atendidos e satisfeitos a contento. É exatamente isto que o bebê aprende antes de qualquer outra coisa, seduzir para conseguir realizar suas vontades. Esta sedução é um exercício de sua sexualidade e estará presente também no seu encontro para o sexo em seu período fálico, que possivelmente se dará entre a adolescência e a fase adulta. Mas isso não quer dizer que seus impulsos libidinais, presentes na pulsão de vida, não estejam ativos desde pouca idade, assim como sua curiosidade, para iniciar precocemente as investigações e construções de suas teses sobre todos os assuntos que ganharem sua atenção.
Para esta compreensão, faço aqui um registro sobre a pulsão, que tem sua fonte no corpo e é uma força constante, desde o nascimento até a morte e que por ter sua origem endógena, ou seja, em estímulos internos, não há como ser controlada ou passível de fuga. Ela não cessa. Vou dar um exemplo de um estímulo externo: se a temperatura cair, vou sentir frio, mas posso controlar usando roupas para o inverno, pois estes estímulos vêm de fora do meu corpo, mas como controlar um estímulo que nasce dentro de mim? A sexualidade humana é pulsional e obedece a uma força constante da libido. O sexo no animal é cíclico, visando exclusivamente a reprodução. No homem, visa a satisfação de um desejo. Assim, fica facilmente compreensível que tanto os bebês, como os jovens e os idosos têm pulsões e estas o objetivo final de satisfação. E estas pulsões têm reflexos nas zonas erógenas de nosso corpo com manifestações em nossos órgãos genitais. Quando você acaricia um bebê ou mesmo quando você faz a higiene de seu corpo ele sente prazer no seu toque e muitas vezes este estímulo tem resposta em seu órgão genital, o que é naturalmente saudável. E não é necessário que o toque seja em uma região específica, pois o maior órgão erógeno é a nossa pele, que se estende por todo nosso corpo. Mas tudo isso para aquela época era um pouco demais e antes que terminasse suas colocações sobre a teoria da sexualidade infantil, Freud foi deixado por colegas médicos e cientistas, falando sozinho e foi criticado e chamado de perverso e tarado pelos mais exaltados. Pois bem, dois séculos depois nos encontramos aqui seguindo suas trilhas e constatando a cada caso, que ele estava coberto de razões quanto a todas estas questões. E como é bonito ver o desenrolar e a dissolução do amor edipiano. Vamos a ele:
(Não farei referência à história e ao personagem da mitologia grega, Édipo. Pelo fato desta história estar acessível e para não alongar o assunto, que já é por demais, complicado).
Ao perceber que a mãe e ele (o bebê), não são a mesma pessoa, ele começa a constatar que a mãe tem desejos para além dele e que em grande medida estes desejos seguem na direção de seu pai. Ao mesmo tempo em que o bebê deseja a mãe, ele deseja também ser o desejo dela e assim, ele deseja tomar o lugar do pai. Ele deseja ainda o pai e ser também o desejo deste pai. São pulsões libidinais nas duas direções e ansiedade de castração nas mesmas vias. Quando escolhi o subtítulo: “Um triângulo de amor e medo, sem solução”, foi exatamente isso que eu queria dizer, substituindo a palavra ‘amor’ por ‘traços libidinosos’ e a palavra, ‘medo’, por ‘ansiedade de castração’. Toda criança por volta dos cinco anos de idade, não importa o sexo, sente pelo pai e pela mãe, tanto impulsos libidinosos, como também uma ansiedade de castração, justamente por saber (intuir), que a realização destas pulsões é barrada pela instauração da lei, que dita as normas e interdita o desejo. A impossibilidade da realização destes desejos faz com que este triângulo amoroso não encontre uma solução, mas que passe então por sua dissolução, que se dá da seguinte forma:
A criança na impossibilidade de possuir o pai e/ou a mãe, introjeta traços destes primeiros objetos de amor e assim, constitui o ‘SUPEREGO’, aquele juiz interno que muitas pessoas chamam de: a voz da consciência, que nos aconselha, nos protege e que às vezes por ser severo demais, nos enche de culpas. O ‘SUPEREGO’ é uma instância psíquica que limita e interdita o sujeito, são os traços e as características de nossos pais que escolhemos inconscientemente para fazer parte de nossa estrutura psíquica e que irá nos acompanhar pelo resto de nossas vidas, então é imprescindível que nosso ‘EGO’ aprenda a lidar com este ‘herdeiro do complexo de Édipo'. Alguns teóricos divergem sobre a idade em que se encerra esta triangulação, Freud acreditava que seria por volta dos sete anos de idade. Depois desta fase, a criança entra no período de latência e tem sua energia desviada para outras atividades como: esportes, artes, jogos e outros interesses, sem nenhuma conotação sexual. É uma fase que eles se dedicam com afinco e se sobressaem em algumas áreas, dependendo de suas habilidades. As meninas mostram preferência para as danças, ginásticas olímpicas, música, e os meninos, se entregam às lutas e jogos de vídeo games, tudo isso como maneira de sublimar, deslocando a energia para algo não sexual. Aos poucos a puberdade vai dando lugar a adolescência e então o complexo de Édipo retorna, próximo aos doze anos de idade, fazendo seu fechamento com a substituição do objeto. Na maioria dos casos, a menina escolhe alguém parecido com o pai e o menino encontra uma substituta para a figura materna.
Por hora, ficamos assim! Abraço.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
O primeiro amor a gente nunca esquece!
Olá, é bom estar de volta depois de um recesso, mas sinto que precisamos fechar o assunto acerca de nosso primeiro objeto de amor: a Mãe. (ou em casos diferentes, um cuidador que substitua a mãe).Quero propor um exercício: Fechem os olhos e por um instante tentem se distanciar de tudo que vocês conhecem a respeito do mundo, da vida, das pessoas, da linguagem, dos sentimentos, em especial do medo. Difícil? Impossível, seria a palavra, não é? Mas é preciso que a gente tente compreender como se sente um recém nascido, com um mundo e uma maneira de organização completamente nova de tudo que ele havia percebido até então. A luz, os sons, os cheiros, o toque do outro, tudo que ele não sentia antes e que agora lhe chega ao mesmo tempo. Como deve ser ameaçador e desconfortável sentir fome, frio ou calor, ficar com as fraldas sujas e molhadas e passar a depender de cuidados, que nem sempre vem a tempo e a contento. Pois é assim, neste mundo novo e confuso e muitas vezes hostil que o bebê vai aprendendo a viver. De início ele se confunde com sua mãe ou com aquela pessoa que está sempre por perto, cuidando e atendendo suas necessidades básicas. Ele se confunde com o seio, não faz a menor ideia de que é uma pessoa diferente daquilo que gera conforto e prazer, tudo é uma mesma coisa e tudo é ele. Até por volta dos cinco meses de idade, sua visão ainda não está completamente ajustada e as imagens não são nítidas, assim o olfato fica mais evidente, o cheiro da mãe tem uma importância significativa nestes primeiros meses de sua vida, como também o som e a melodia daquele falar, uma voz conhecida desde a gestação. Este cheiro e esta voz tornam se um primeiro ponto de referência e passam a significar segurança, ele se reconhece neles e por isso exige sempre sua presença. Em contrapartida a ausência destes sinais trazem temor, principalmente diante da fome, do sono e ele se comunica através do choro, que a mãe aprende a identificar e conhecer as razões. Vai se construindo um laço de afeto, de amor, o primeiro amor da vida de todo ser humano. E então um dia, o bebê se vê diante de um espelho e tem a sua figura refletida e confirmada por um outro. Ele se percebe inteiro, não é mais parte daquele seio afastado dele algumas vezes. Conclui que a mãe é separada dele, percebe que existem outros que também desejam esta mãe, que além de não ser parte dele, também não é só dele, como ele gostaria que fosse. E o mais importante, descobre que esta mãe deseja fora dele. E assim, ele aprende a desejar também e o desejo é na medida certa o remédio que cura a angustia. Disso falaremos mais à frente. Por agora quero voltar aos desejos da mãe, pois para ser mãe, não é preciso deixar de ser mulher. É saudável para todos que esta mãe volte a sua rotina em poucos meses e retome sua vida no trabalho, seu convívio junto aos amigos, ao seu ciclo social e ao que lhe proporcione bem estar, como atividades físicas, esportes, mas principalmente que conserve sua libido, seus desejos e seu papel de mulher, namorada, amante. O fato do bebê se frustrar com a falta de exclusividade desta mãe, em dose certa é o melhor que pode ocorrer, para que ele aprenda a lidar com o movimento de ausência e presença de seu objeto amoroso, compreendendo o papel do pai e dos outros membros da família e acostumando-se com o fato de que felicidade mesmo é saber lidar com os imprevistos e suportar as frustrações.
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