Assim como acreditamos erroneamente que a sensação de dor provocada por um ferimento na perna, se localiza nesta parte do corpo, também acreditamos de maneira equivocada que a dor psíquica se deve a perda da pessoa amada.
Não é a ausência do outro que provoca dor, mas os efeitos desta falta em mim.
Porque aquele que refletia minhas imagens não se encontra mais em minha presença.
O que provoca este transtorno interno é o desmoronamento da fantasia que eu teci em relação ao ser amado.
A dor não é pela perda do amado, mas pela quebra do que me ligava a ele.(Os espaços são propositais, significa que é necessário um tempo para absorver as informações, assim como é necessário um tempo para vivermos a perda e tomarmos consciência de nós, sós e inteiros.)
Assim, aquele que organizava e freava os meus desejos não existe mais. Desta feita meu desejo não tem mais eixo. É um desejo louco, pois perdeu seu objeto. A dor é pois, o encontro do sujeito com seu desejo enlouquecido e desnorteado. Esta desmedida invasão de tensão interna provocada por um desejo que não possui mais um objeto organizador que ao mesmo tempo que instigava, colocava freio e limite a este desejo, tornando minhas frustrações toleráveis na medida exata.
"E agora, José?"
domingo, 26 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
A dor de amor.
Não foi por acaso que eu me afastei do blog, nem foi por tantas desculpas que eu disse a mim mesma enquanto os dias iam passando, foi pelo fato incontestável de tentar evitar a dor, ou ainda que só o assunto sobre a dor. É o que todos nós tentamos ao longo de nossa existência, afastar os conteúdos dolorosos. Mas não há como fugir dela, é nossa condição de ser humano, às vezes a evitação acaba por provocar ainda mais dor, chega uma hora que é preciso encará-la de frente. Então, avante! Vamos com o assunto, rumo a dor de amor, ou a dor da perda de nosso objeto de amor.
No post anterior falamos da fantasia, aquela mesma que tecemos entre o conteúdo de nosso inconsciente e a pessoa viva de nosso amado, uma construção de mil imagens com vários significantes suscitados pela força do desejo que o 'Outro' provoca em mim e que eu acendo nele e que nos mantém em união. Esta fantasia que ao mesmo tempo evoca e desperta o desejo, tem a função de regular o movimento desejante.
“A fantasia do amado satisfaz o desejo, saciando-o parcialmente.”E aqui começamos a compreender que nosso eleito deixa de ser um ser vivo exterior e passa a fazer morada também no interior de nós. Não é de todo um exagero puramente romântico as frases que ouvimos, como por exemplo:_‘ Ele faz parte de mim. ’_‘ É como se ele e eu fôssemos um só. ’Sim, aquele que mora dentro de mim é um Outro construído a partir de conteúdos de mim mesmo que eu desconheço.(inconscientes)
Assim, o objeto fantasiado tem a função de domar nosso desejo, tornando-o insatisfeito no limite do tolerável.
Desta forma, meu eleito é ao mesmo tempo uma pessoa de carne e osso fora de mim e uma fantasia dentro de mim. Destas duas formas, a minha fantasia é que vai dominar a cena, ou seja, o que eu sinto e penso e experimento em relação ao ser amado é determinado pela figura que eu construí e teci ao longo do tempo.
Eu só enxergo o que está tecido entre nós, eu só o vejo e o escuto dentro da teia que envolve a sua imagem atrelada à minha. Não seria incorreto afirmar que nós nos amamos e nos odiamos no outro, por meio dele e do que nos liga a ele.
“Eu me vejo e me sinto segundo as imagens que o outro me envia.”E quais seriam estas imagens? . Imagens exaltantes de nós mesmos, que reforçam nosso amor narcísico.. Imagens decepcionantes que alimentam a repulsa por nós mesmos.. Imagens de submissão e dependência em relação ao amado que provoca nossa angústia.
É como um caleidoscópio que reflete as imagens com base em fragmentos do nosso eleito e de nós mesmos entrelaçados e mutantes, sempre se alterando e apresentando novas configurações. A fase da relação em que o encantamento pelo outro está em evidência é aquela em que o amor narcísico fica reforçado. Ouvimos elogios o tempo e somos cobertos por carinho. Depois, a fase em que o amado começa a nos decepcionar e por vezes nos aponta defeitos é aquela em que nossa auto estima é golpeada e passamos por uma desvalorização de nós mesmos. E por fim quando nos percebemos submissos e dependentes de nosso eleito, mediante a ameaça da perda deste objeto, é quando surge a angústia.É neste momento que aparece a dor!
E desta dor falaremos no próximo post, até lá!
No post anterior falamos da fantasia, aquela mesma que tecemos entre o conteúdo de nosso inconsciente e a pessoa viva de nosso amado, uma construção de mil imagens com vários significantes suscitados pela força do desejo que o 'Outro' provoca em mim e que eu acendo nele e que nos mantém em união. Esta fantasia que ao mesmo tempo evoca e desperta o desejo, tem a função de regular o movimento desejante.
“A fantasia do amado satisfaz o desejo, saciando-o parcialmente.”E aqui começamos a compreender que nosso eleito deixa de ser um ser vivo exterior e passa a fazer morada também no interior de nós. Não é de todo um exagero puramente romântico as frases que ouvimos, como por exemplo:_‘ Ele faz parte de mim. ’_‘ É como se ele e eu fôssemos um só. ’Sim, aquele que mora dentro de mim é um Outro construído a partir de conteúdos de mim mesmo que eu desconheço.(inconscientes)
Assim, o objeto fantasiado tem a função de domar nosso desejo, tornando-o insatisfeito no limite do tolerável.
Desta forma, meu eleito é ao mesmo tempo uma pessoa de carne e osso fora de mim e uma fantasia dentro de mim. Destas duas formas, a minha fantasia é que vai dominar a cena, ou seja, o que eu sinto e penso e experimento em relação ao ser amado é determinado pela figura que eu construí e teci ao longo do tempo.
Eu só enxergo o que está tecido entre nós, eu só o vejo e o escuto dentro da teia que envolve a sua imagem atrelada à minha. Não seria incorreto afirmar que nós nos amamos e nos odiamos no outro, por meio dele e do que nos liga a ele.
“Eu me vejo e me sinto segundo as imagens que o outro me envia.”E quais seriam estas imagens? . Imagens exaltantes de nós mesmos, que reforçam nosso amor narcísico.. Imagens decepcionantes que alimentam a repulsa por nós mesmos.. Imagens de submissão e dependência em relação ao amado que provoca nossa angústia.
É como um caleidoscópio que reflete as imagens com base em fragmentos do nosso eleito e de nós mesmos entrelaçados e mutantes, sempre se alterando e apresentando novas configurações. A fase da relação em que o encantamento pelo outro está em evidência é aquela em que o amor narcísico fica reforçado. Ouvimos elogios o tempo e somos cobertos por carinho. Depois, a fase em que o amado começa a nos decepcionar e por vezes nos aponta defeitos é aquela em que nossa auto estima é golpeada e passamos por uma desvalorização de nós mesmos. E por fim quando nos percebemos submissos e dependentes de nosso eleito, mediante a ameaça da perda deste objeto, é quando surge a angústia.É neste momento que aparece a dor!
E desta dor falaremos no próximo post, até lá!
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