Acordei pensativa, incomum para uma segunda-feira. (Foi escrito em 22/05/2023)
Talvez seja resultado de uma noite mal dormida.
Quem sabe porque comecei a ler a biografia de Elvis Presley ou por ter assistido o filme sobre a vida da modelo da Guess - Anna Nicole Smith.
Gosto muito de biografias, porque gosto de gente.
Estou começando a compreender Zeca Pagodinho quando ele canta: Deixa a vida me levar.
Brincadeiras à parte, começo a perceber como tudo flui naturalmente e de uma forma mais leve do que sempre acreditei que acontecia.
Tenho percebido como complicamos demais as coisas que deveriam e são simples.
Ja perdi as contas de quantas vezes li e ouvi pessoas dizendo: "Não desista de seus sonhos!"
Pois bem, aqui vou eu: Desista sim!
Tem sonhos que não valem a pena, nem o esforço e muito menos sua saúde. Tem sonho que pode tornar-se um pesadelo.
Eu parei de insistir em caminhos tortuosos e complicados já faz um bom tempo e quer saber? Foi a melhor escolha.
A vida deve ser leve!
"Para amar verdadeiramente a liberdade, é fundamental se apaixonar pela renúncia."
Quando visitei Florença e conheci a Academia de Belas Artes, vi de perto o trabalho dos alunos do curso de esculturas.
Ouvi o seguinte relato quando expus minha dificuldade em esculpir: "A obra já está lá, você só precisa retirar o excesso." Pareceu tão simples.
Minha mãe escreveu uma peça de teatro maravilhosa, ela sempre gosta de me mostrar seus textos. Quando lí, me emocionei muito, conta a vida de três mulheres que foram assassinadas. Perguntei a ela como surgiram os diálogos e ela me respondeu que tudo já estava lá, que ela só precisou transcrever.
Acontece exatamente o mesmo comigo em meus projetos, chego e olho pro espaço e os volumes e cores vão surgindo diante de mim, eu só preciso ajustar posteriormente, pequenos detalhes. É como se tudo já existisse e estivesse visível pra todos, sei que não é tão fácil, já que não consigo tirar o excesso dos blocos de mármore, como fazem os grandes mestres escultores. Me incomoda muito, alguns clientes insistirem em alterar o projeto, quando vejo claramente que aquela não é a melhor opção e mesmo assim, sou forçada a ceder, compreendendo a necessidade que eles sentem em fazer parte do processo criativo.
Por que estou dizendo disso?
Pra que compreendamos que da mesma forma, saímos atropelando a vida com nossas insistências e imediatismo. Não se trata de cruzar os braços e deixar que tudo corra a revelia. Trata-se tão somente de fazer como um surfista, que ao escolher sua onda, desliza suavemente sobre as aguas, tirando melhor proveito do que ela tem para lhe oferecer. Escolha a sua e apenas dance sobre ela. Tente-se manter de pé, em equilíbrio, ouse quando sentir que é o momento certo e saiba quando não é prudente se arriscar em manobras. No intervalo, aproveite as surpresas!
Que saudades do tempo que os amigos chegavam em casa, sem avisar ou quando uma carta vinha contando novidades de longe. O telefone muitas vezes trazia a voz de alguém querido, quando tocava sem um pedido prévio. O abraço e o beijo aconteciam naturalmente e ninguém ia para prisão por isso. Quando não era recíproco, era claro e sabido e todos se desvencilhavam dos incovenientes. Hoje tudo está confuso e chato, não há mais o inesperado que emociona.
O que nos pega desprevenidos agora, são só as más notícias.