sábado, 29 de novembro de 2014

FREUD E A INVENÇÃO DA PSICANÁLISE



Freud se formou em medicina e se especializou em Neurologia. Em 1885, então, com 29 anos, partiu para Paris para encontrar o maior neurologista da época: Jean-Martin Charcot. Nesta época um número entre cinco e seis mil mulheres estavam internadas em SALPÉTRIÈRE, um hospital/hospício. Trancafiadas no setor das incuráveis, as histéricas eram abandonadas seminuas e imundas, recebendo como alimentação uma sopa fria através de grades, como numa prisão.
Para tentar compreender os sintomas, Charcot começa um trabalho com a hipnose e consegue fazer com que paralisias e contrações desapareçam por um determinado tempo. Freud se sente profundamente influenciado por Charcot e seus métodos, nota que havia entre médico e pacientes um sentimento de ligação intensa e então faz uma ponte entre a histeria e a sexualidade. Ele queima todas as suas anotações feitas em quatorze anos de estudo para começar do zero.
Condenadas a se tornarem esposas muito jovens ainda e de uma forma rígida, como suas mães, as jovens da alta sociedade Vienense aspiravam outra vida, mas ninguém as ouvia. Incapazes de aceitar seus destinos, elas adoeciam. A histeria é a linguagem desse desejo refreado no âmbito da razão.
Dr. Josef Breuer, tratou por dois anos uma jovem, que após ser hipnotizada falava sobre seus desejos e angustias, podemos dizer que esta foi a primeira paciente analisada do mundo. Junto com Breuer, tendo acompanhado de perto seu trabalho com Anna O. (nome fictício para preservar a identidade da paciente, Bertha Papenheim), Freud lança o livro: “Estudos sobre a Histeria”, com várias histórias de casos, mostrando os resultados obtidos pelo método catártico, uma terapia através da fala, mas que ainda não era psicanálise. Alguns anos depois de abrir seu consultório particular, recebendo na grande maioria de seus pacientes, mulheres da burguesia vienense com doenças nervosas, neurastenia e histeria, ele atende Fanny Mozer (1889), que ordena que ele não se mexesse e que a deixasse falar: _“Não fale comigo, não me toque, escute-me”. Nascia assim, a ´cura pela fala´.
Sofre-se com coisas que vêm de si mesmo, muda-se completamente o rumo das coisas e o sujeito passa a questionar a si próprio. Os problemas não são causados por outro fora de mim, mas por outro, dentro de mim. Esta é a revolução Freudiana e a psicanálise propriamente dita. Tornamos-nos prisioneiros de nossas próprias armadilhas psíquicas, de nossos disfarces e nossas máscaras. Somos nós quem criamos nossas amarras e não os outros a quem teimamos em culpar pelas nossas infelicidades e insucessos. E isto é ótimo, porque sinaliza que a solução também certamente se encontra em nós. Somos nós quem guardamos as chaves de nossas prisões, somos prisioneiros de nós mesmos, mas se podemos nos trancar, podemos também nos libertar!

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