domingo, 26 de abril de 2015

A dor psíquica.

Assim como acreditamos erroneamente que a sensação de dor provocada por um ferimento na perna, se localiza nesta parte do corpo, também acreditamos de maneira equivocada que a dor psíquica se deve a perda da pessoa amada.


Não é a ausência do outro que provoca dor, mas os efeitos desta falta em mim.

Porque aquele que refletia minhas imagens não se encontra mais em minha presença.

O que provoca este transtorno interno é o desmoronamento da fantasia que eu teci em relação ao ser amado.

A dor não é pela perda do amado, mas pela quebra do que me ligava a ele.
(Os espaços são propositais, significa que é necessário um tempo para absorver as informações, assim como é necessário um tempo para vivermos a perda e tomarmos consciência de nós, sós e inteiros.)

Assim, aquele que organizava e freava os meus desejos não existe mais. Desta feita meu desejo não tem mais eixo. É um desejo louco, pois perdeu seu objeto.
A dor é pois, o encontro do sujeito com seu desejo enlouquecido e desnorteado. Esta desmedida invasão de tensão interna provocada por um desejo que não possui mais um objeto organizador que ao mesmo tempo que instigava, colocava freio e limite a este desejo, tornando minhas frustrações toleráveis na medida exata.

"E agora, José?"

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