segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O primeiro amor a gente nunca esquece!

Olá, é bom estar de volta depois de um recesso, mas sinto que precisamos fechar o assunto acerca de nosso primeiro objeto de amor: a Mãe. (ou em casos diferentes, um cuidador que substitua a mãe).Quero propor um exercício: Fechem os olhos e por um instante tentem se distanciar de tudo que vocês conhecem a respeito do mundo, da vida, das pessoas, da linguagem, dos sentimentos, em especial do medo. Difícil? Impossível, seria a palavra, não é? Mas é preciso que a gente tente compreender como se sente um recém nascido, com um mundo e uma maneira de organização completamente nova de tudo que ele havia percebido até então. A luz, os sons, os cheiros, o toque do outro, tudo que ele não sentia antes e que agora lhe chega ao mesmo tempo. Como deve ser ameaçador e desconfortável sentir fome, frio ou calor, ficar com as fraldas sujas e molhadas e passar a depender de cuidados, que nem sempre vem a tempo e a contento. Pois é assim, neste mundo novo e confuso e muitas vezes hostil que o bebê vai aprendendo a viver. De início ele se confunde com sua mãe ou com aquela pessoa que está sempre por perto, cuidando e atendendo suas necessidades básicas. Ele se confunde com o seio, não faz a menor ideia de que é uma pessoa diferente daquilo que gera conforto e prazer, tudo é uma mesma coisa e tudo é ele. Até por volta dos cinco meses de idade, sua visão ainda não está completamente ajustada e as imagens não são nítidas, assim o olfato fica mais evidente, o cheiro da mãe tem uma importância significativa nestes primeiros meses de sua vida, como também o som e a melodia daquele falar, uma voz conhecida desde a gestação. Este cheiro e esta voz tornam se um primeiro ponto de referência e passam a significar segurança, ele se reconhece neles e por isso exige sempre sua presença. Em contrapartida a ausência destes sinais trazem temor, principalmente diante da fome, do sono e ele se comunica através do choro, que a mãe aprende a identificar e conhecer as razões. Vai se construindo um laço de afeto, de amor, o primeiro amor da vida de todo ser humano. E então um dia, o bebê se vê diante de um espelho e tem a sua figura refletida e confirmada por um outro. Ele se percebe inteiro, não é mais parte daquele seio afastado dele algumas vezes. Conclui que a mãe é separada dele, percebe que existem outros que também desejam esta mãe, que além de não ser parte dele, também não é só dele, como ele gostaria que fosse. E o mais importante, descobre que esta mãe deseja fora dele. E assim, ele aprende a desejar também e o desejo é na medida certa o remédio que cura a angustia. Disso falaremos mais à frente. Por agora quero voltar aos desejos da mãe, pois para ser mãe, não é preciso deixar de ser mulher. É saudável para todos que esta mãe volte a sua rotina em poucos meses e retome sua vida no trabalho, seu convívio junto aos amigos, ao seu ciclo social e ao que lhe proporcione bem estar, como atividades físicas, esportes, mas principalmente que conserve sua libido, seus desejos e seu papel de mulher, namorada, amante. O fato do bebê se frustrar com a falta de exclusividade desta mãe, em dose certa é o melhor que pode ocorrer, para que ele aprenda a lidar com o movimento de ausência e presença de seu objeto amoroso, compreendendo o papel do pai e dos outros membros da família e acostumando-se com o fato de que felicidade mesmo é saber lidar com os imprevistos e suportar as frustrações.

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