terça-feira, 2 de dezembro de 2014
BORDERLINE – Emoções sem limites
Numa proporção completamente inversa ao psicopata, o borderline é:100% emoção e 0% razão!
Fica fácil compreender porque tantos casais se formam assim, um alimentando o transtorno do outro e muitas vezes permanecendo juntos, até que ocorra uma tragédia, nos casos mais graves. Na versão mais leve, o borderline se sujeita a sobreviver permanentemente no inferno, ofertado pelo psicopata, com uma promessa falsa de paraíso. É comum também que se sintam atraídos pelos perfeccionistas, pelos obsessivos compulsivos.
Parece exagerado? E é mesmo! A vida do borderline está frequentemente, transbordando. Levam uma vida de excessos: compram demais, gastam demais, bebem demais, o exagero é uma marca. Fazem isto, numa tentativa de anestesiar a sua dor psíquica, que é tão grande ao ponto de muitos se machucarem, se cortarem, para que a dor física suplante a outra.
Vamos às características do borderline: O próprio nome já nos dá uma ideia do que são os pacientes fronteiriços. Eles vivem no limite. Um limite entre a neurose, considerada uma estrutura ´saudável´ e a psicose, considerada mais grave, pela presença de delírios e alucinações. Um limite entre a normalidade de uma vida rotineira e o caos em que eles transformam a própria vida e a de quem se dispõe a fazer parte dela. Sendo assim, eles perdem a noção deste limite com uma facilidade muito grande e protagonizam cenas dignas de um dramalhão no melhor estilo, Nelson Rodrigues. São aquelas pessoas que numa briga ou discussão, quebram tudo. Atiram porta-retratos, jarros e tudo que estiver pela frente, ficam como dizem popularmente: cegos de raiva. Além disso, são impulsivos e não medem as consequências de seus atos, agem sempre, sem nenhuma razão. Seguem companheiros, perseguem atuais namoradas do antigo parceiro, invadem reuniões de trabalho, aparecem em festas para fazer escândalos, gritam desesperadamente pelo namorado, na porta da casa em plena madrugada, acordando toda a vizinhança e costumam atirar pedras e quebrar carros.
Sim, elas existem! São 2% da população mundial. E se arrependem muito no outro dia, porque sentem muita culpa. Eu digo, elas, porque a proporção é de cinco mulheres para cada homem e existem muitas variações na atuação. Existe também o estilo implosivo, que ao contrário desta explosão de sair destruindo tudo pelo caminho, sofre calado e se auto-destrói, com o abuso de medicamentos, drogas, álcool, sexo demais, sem nenhum critério de escolha e uma necessidade de seduzir e conquistar um número grande de parceiros, ao mesmo tempo. Isto parece lhes garantir algum afeto. “Na falta de um, terei sempre outro”. Pode se chegar ao ponto de perder tudo, saúde, família, emprego, amigos. E é claro, que a atuação também pode variar, se alternando entre um estado e outro, ora explodindo, ora implodindo. Por tudo isso, o diagnóstico muitas vezes não é correto, sendo confundido com o transtorno bipolar.
O psicopata faz mal ao outro, porque não tem nenhum sentimento. O borderline faz mal a si mesmo e ao outro, porque tem sentimentos demais, tudo nele é exagerado. Geralmente são excelentes profissionais, porque como são muito dedicados quando gostam do que fazem, costumam ser os melhores em sua área de atuação. A primeira vista, são pessoas divertidas, geralmente bem cuidadas, bonitas, cultas, sensíveis e muito agradáveis, até que a intimidade revela seu outro lado: carentes, ciumentas, extremamente possessivas, exigentes e com uma instabilidade de humor assustadora. Este transtorno de personalidade revela uma dificuldade muito grande nos relacionamentos, principalmente os íntimos.
E por que, são assim? Porque eles têm uma visão distorcida de si mesmos, uma insegurança afetiva em profusão, como se houvesse um vácuo a ser preenchido pela relação com o outro. Só assim, encontram um sentido para vida, chegando ao ponto de deixar os filhos relegados ao segundo plano e colocarem suas relações com o sexo oposto em primeiríssimo lugar. Dedicam-se tanto ao outro que assumem uma vida diferente a cada relacionamento. Quando namoram um surfista, são capazes de aprender a pegar onda, deixar os cabelos crescerem e se vestirem despojadamente, mas se o próximo namorado for um cowboy, aprendem a montar cavalos, compram chapéu e bota e viram quase outra pessoa. Tudo isso para serem muito importantes na vida do outro, que de tanto ser exigido e cobrado, com detalhes minúsculos e um humor muito variável, se sentem sufocados e não suportam a relação por muito tempo. Então acontece justamente o que o borderline não suporta de jeito nenhum, a rejeição. Este é o trágico momento em que o mundo desaba sobre ele, é quando ele enlouquece e vai atrás do parceiro, como um leão que caça sua presa. O borderline liga dez, vinte, cem vezes. Deixa uma dúzia de recados, fareja como um cão de caça e descobre tudo que ele nunca ousou procurar saber, até o endereço daquele primo que mora num sítio afastado que ninguém da família nunca soube que existia. O border vai te procurar como agulha em um palheiro e se você tentar se esconder dele, quando te encontrar vai estar tão irado, que é capaz de tudo, tudo mesmo!
A boa notícia, é que ao contrário dos psicopatas, que quase nunca procuram ajuda e quando o fazem é por exigência de alguém ou de ordem judicial, o borderline, quando adere ao tratamento, têm muitas chances de melhora. É possível conseguir um fortalecimento egoico e uma reconstituição da personalidade, auxiliado por medicação especifica, receitada por um médico especialista.
Se você percebeu alguns traços destas personalidades em você ou em alguém muito próximo, não precisa se apavorar, todos nós temos traços de todas as estruturas psíquicas e isto de certa forma é bom. Se por acaso, você se reconheceu nestas descrições com um perfil bem semelhante, e se você sofre por ser como é, seria interessante procurar um profissional da área psicanalítica para uma entrevista. De qualquer forma, a psicanálise é uma ciência que tem por finalidade tornar mais leve e tranquila sua opção de vida, seja ela qual for, mas é necessário coragem e um bom grau de inteligência cognitiva, para romper com suas amarras. De qualquer forma, alguém que se descobrir borderline vai estar acompanhado de muita gente famosa. Fazem parte desta lista: Marilyn Monroe, Amy Winehouse, Elizabeth Taylor, princesa Diana, Madonna, Britney Spears, Angelina Jolie, algumas com um fim de vida trágico, mas como eu já disse e volto repetir, nós temos sempre escolhas a fazer! Na foto, a atriz, Débora Falabella que interpreta Ray, uma personagem com transtorno de personalidade borderline, na minissérie: Dupla Identidade, da rede Globo de televisão. Ela mantém um relacionamento, com Edu, descrito no texto anterior, personagem vivido pelo ator: Bruno Gagliasso.
...continua...
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Como agilizar o processo p que um ex namorado bordeline me deixe em paz pois ele contraria até medidas protetivas. Estou exausta.
ResponderExcluirOlá, Franciscana! Desculpe nossa demora na resposta, este blog estava temporariamente desativado por motivos pessoais. Espero que tudo já tenha se tranquilizado, mas vou tentar responder abreviando este assunto tão delicado.
ResponderExcluirPrimeiro, porque o outro é um ser humano que sofre de um transtorno de personalidade que suscita muito sofrimento a ele mesmo, em primeiro lugar.
Mas vamos direto ao seu desejo de se afastar dele.
Como o 'border' é extremamente carente e impulsivo, seus rompantes explosivos são mesmo assustadores e podem machucar quem estiver por perto, por isso não bata de frente com ele, não revide e não reaja na mesma medida às suas ofensas.
Procure manter a calma caso aconteça um confronto e evite encontros depois da decisão de deixá-lo.
Infelizmente não há como abreviar o processo e você terá que ter muita paciência, até que ele resolva seguir adiante e virar a página.
Procure manter sua vida o mais discreta possível e não o deixe saber onde te encontrar, mas caso aconteça e ele entre em surto, mantenha a calma, ouça o que ele tem a dizer e o trate com respeito.
Fale de seus sentimentos e de sua decisão de uma forma leve, sem acusações, mas com firmeza.
Deixe que o tempo se encarregue de afastá-lo por completo.
É importante que você não sinta raiva ou culpa, mas é preciso que você assuma a responsabilidade de aceitar alguém assim em sua vida. Cerque-se de pessoas amigas e de seu ciclo mais íntimo, como familiares, isto te devolverá um pouco de paz e segurança, mas evite expor seu alívio em ter se livrado da presença dele, lembre-se que ele está sofrendo desesperadamente a dor de ter sido 'abandonado', é assim que ele se sente.
Procure uma ajuda terapêutica, um profissional de sua confiança, para você compreender o que te levou a um envolvimento tão desgastante e exaustivo.
Desejo uma boa sorte, abraços e cuide-se!